Horta Comunitária

A horta comunitária E o viveiro educador: histórico e regularização

De acordo com o processo histórico de regularização, as primeiras iniciativas para se estruturar a horta comunitária decorreram da emissão da Licença Ambiental de Instalação no 31/2007, que exigia, em uma de suas condicionantes, que o COMEL executasse ações de educação ambiental.

Navegando pela internet descobrimos que até junho de 2007 o espaço que hoje abriga horta, viveiro e biblioteca na etapa 1 era assim:

Figura 1 – Vista geral do espaço onde hoje funciona horta/viveiro/biblioteca. Destaque para a vegetação nativa (Cerrado) - 13/06/2007

Em 2008 o Google evidencia que o lote foi desmatado, tendo restado no local poucas árvores nativas e muitos resíduos (aparentemente entulho de obras). Acompanhe na foto a seguir:

Figura 2 – Área atualmente ocupada pela horta/viveiro e biblioteca totalmente desmatada e repleta de resíduos diversos - 06/10/2008

Em 2011 o galpão que hoje abriga a biblioteca comunitária já aparece nas imagens do google, mas ainda não havia no local qualquer movimentação de terra que evidenciasse que práticas agrícolas estariam ali sendo realizadas.

Figura 3 – O galpão que hoje abriga a biblioteca aparece em 30/08/2011

Finalmente no ano de 2012 o google permite visualizar a instalação de um sombrite para um viveiro de mudas e o cultivo de vegetais. Eis, portanto, o ano oficial de início da produção agrícola comunitária no COMEL.

O local que hoje abriga a biblioteca, entretanto, foi ocupado com materiais diversos até o ano de 2019, quando o acervo migrou do espaço alugado na etapa 1 para lá.

Figura 4 – Primeiros plantios na horta comunitária do COMEL – 02/06/2012

 

A RETOMADA DO PROCESSO DE REGULARIZAÇÃO E A REVITALIZAÇÃO DO ESPAÇO DA HORTA

No ano de 2019 uma série de tratativas foram feitas pela então Administração do COMEL de modo que a regularização fosse retomada, já que o diálogo com os entes governamentais havia sido encerrado quando do vencimento da última licença concedida (LI no 31/2007), em 2011.

Com a impossibilidade legal de renovação desta licença de instalação, o Condomínio acabou por acumular multas, embargo e uma ação civil pública que tramita na Vara de Meio Ambiente do DF. Desta forma, um conjunto de medidas socioambientais foi proposto neste novo diálogo estabelecido com o Governo e uma nota técnica, com o detalhamento das ações, foi protocolada:

  • No IBRAM – processo no000498.1998 e no 00391.00001073.2020.88;
  • No Ministério Público – processo no 0002164-65.1993.8.07.0016.

As ações visavam:

  1. Avaliar os impactos causados quando da realização da pista que conecta a etapa 4 ao restante do condomínio, obra que fragmentou um importante maciço florestal que funcionava como corredor ecológico. Sobre este assunto o IBRAM ainda não se manifestou;
  2. Mitigar ou compensar os demais impactos causados quando da implantação do COMEL por meio de 3 ações:
  • Implantação de um Plano de Resíduos Sólidos (coleta seletiva de lixo e remediação do ponto de apoio na etapa 3);
  • Criação de um Centro de Práticas Sustentáveis (integrando horta, viveiro e biblioteca);
  • Destinação correta das águas pluviais (projeto de drenagem que abarcasse todo o COMEL).

No ano de 2020 o Plano de Gestão de Resíduos Sólidos começou a ser implantado com a assinatura de contrato com a Associação de Catadores Recicla Mais Brasil e a implantação da coleta seletiva no COMEL. As outras duas ações estão sendo implementadas no exercício de 2021 na gestão Elizeu e Paula.

 

O VIVEIRO EDUCADOR: UM ESPAÇO PARA APRENDIZAGEM

 A revitalização do espaço da horta foi iniciada em janeiro de 2021 e perpassou pela implantação de um viveiro educador, já que o vislumbrado na foto de 2012 não mais existia no local, como evidenciam as fotos do Google.

Um projeto pedagógico foi proposto para o espaço e sua missão foi definida como:

  • Produção de mudas de espécies nativas do bioma Cerrado destinadas ao incremento vegetal das áreas do COMEL;
  • Fornecimento de mudas aos moradores e entorno para formação de corredores ecológicos e/ou incremento vegetal do entorno;
  • Fomento de processos educativos junto aos moradores, contribuindo para a viabilização das transformações socioambientais necessárias ao resgate da qualidade de vida e do bem-estar humano.

O viveiro assumiu também a responsabilidade de semear os vegetais que são plantados na horta e entregues à comunidade, não sendo mais necessário, portanto, comprar mudas e sementes.

O IBRAM vem acompanhando o trabalho em curso por meio de relatórios semestrais, tendo sido o primeiro submetido ao órgão em fevereiro/2021. Destacamos apenas que a ordem para implantação da estrutura foi dada em julho de 2020, mas nada foi feito até janeiro 2021.

Na sequência mais duas fotos do google para ilustrar melhor o disposto:

Figura 5 – Na imagem do google tirada em 16/07/2020 o ônibus amarelo, que será usado em práticas lúdicas e pedagógicas, estava fora da posição e o viveiro ainda não havia sido implantado
Figura 6 – Viveiro Implantado e ônibus amarelo posicionado corretamente (28/01/2021).

A HORTA COMO ESPAÇO EDUCATIVO

Para que o espaço Horta assumisse o papel de gerador de conhecimento diversas foram as mudanças promovidas, das quais a mais importante foi a retirada dos agroquímicos e a introdução de práticas regenerativas do solo de modo a se produzir alimentos orgânicos a baixo custo para a Administração.

Metade da área produtiva foi colocada em pousio (descanso) e para ajudar na restauração do solo, que vinha sendo explorado desde 2012, a área passou a ser protegida com a palhada do Condomínio (oriunda das roçadas e podas das áreas comuns).

Depois de 3 meses de descanso a área foi levemente gradeada e voltou a ser cultivada com milho crioulo, feijão e logo receberá abóboras, uma técnica muito antiga conhecida como Consórcio MILPA, onde o feijão fornece o nitrogênio que o milho precisa; o milho serve de suporte para o feijão e a abóbora protege o solo.

Quase todos os canteiros já receberam ações de recuperação e o espaço recebeu estruturas que aumentam a produtividade e são também extremamente educativas: três caixinhas de abelhas sem ferrão (Jataí); hotéis de insetos polinizadores; bebedouros para aves e abelhas; gaiolas abertas com alimentação (para diminuir os ataques aos canteiros) e flores para diminuir pragas e alimentar os insetos. Tudo feito a partir de doações da comunidade.

O ônibus e a varanda da biblioteca foram disponibilizados para atividades lúdicas diversas e um caminho sensorial foi construído. Os escoteiros do COMEL, inclusive, já estão ocupando aos sábados!

Do projeto original ainda resta construir o Jardim de Cheiros, uma estrutura suspensa para plantas medicinais e aromáticas e que permite que pessoas com necessidades educativas especiais ou motoras possam interagir com as plantas.

Falta também incluir abelhas de outras espécies (meliponário).

O espaço da horta funciona em horário comercial de segunda a sexta-feira. Aos sábados abre nos seguintes horários:

  • Biblioteca: 08:00 h
  • Entrega de vegetais da horta: 08:30 h

Até o meio-dia estamos por lá para ensinar sobre recuperação de solo, técnicas de plantio, consórcios, semeadura de Cerrado, como ter uma horta em casa, compostagem e muitos outros assuntos afetos ao tema.

O projeto recebe voluntários! Para participar doando algumas horas em serviços comunitários (semeadura no viveiro, coleta de vegetais, organização do espaço etc.), basta entrar em contato com a Administração por meio do sac@condominioentrelagos.com.br

Venha conhecer tudo isso de perto! Ficamos próximos ao comércio da etapa 1, atrás da sede da Administração.

O viveiro educador consta das tratativas da Regularização Ambiental do COMEL e tramita no processo IBRAM nº 0191.000489/1998

O projeto pedagógico foi aprovado por meio da Manifestação 6369 (44039415) emitido pela Unidade de Educação Ambiental, que foi favorável, portanto, à execução da proposta como forma de mitigar os impactos ambientais da implantação do condomínio, cabendo ao COMEL a apresentação de relatórios periódicos para que o órgão possa acompanhar o cumprimento de sua missão socioambiental.